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Dormindo com o inimigo

Percival Puggina (http://www.puggina.org/)

Em recente artigo, Cícero Harada, procurador do Estado de São Paulo, atacou a tese abortista com robustos argumentos. Entre eles, referiu um paradoxo apontado por mim há mais de dez anos: a destruição de ovos de tartaruga marinha é crime, dá cadeia e constitui conduta inaceitável porque ninguém duvida de que tartaruguinhas nasçam de ovos de tartaruga. Ao mesmo tempo, porém, há quem pretenda lidar com o embrião humano e com o feto como se fossem descartáveis amontoados de células.

O artigo suscitou a ira de uma professora universitária, que recorreu à surrada estratégia esquerdista de atacar o que não foi dito para sustentar algo que não fica de pé por conta própria. Fugiu do tema. Voltou-se contra a Igreja. Chamou João Paulo II de “Papa da morte” por sua posição em relação aos preservativos. Autora de 12 livros, segundo ela mesma, madame ainda não aprendeu a pensar. Sustentou que a orientação da Igreja dissemina a Aids. Ela imagina que alguém que vive sua sexualidade em contradição com a moral cristã torna-se subitamente fiel e obediente ao Papa quando se trata de camisinha. Convenhamos!

Lá pelas tantas, em seu texto, a professora atacou Bento XVI e afirmou que “não precisa dessa Igreja”. E vice-versa, diria eu. Contudo, sabe o leitor onde a professora despeja seus ensinamentos? Na PUC de São Paulo. Pois é. Ela não apenas leciona e recebe seus salários numa universidade católica, mas numa universidade “pontifícia”! Mesmo assim, ensina contra a sã doutrina e agride a Igreja e seus pontífices com as quatro mãos (hoje estou dado a afabilidades).

O fato não é único nem se restringe àquela instituição. Muitas outras, igualmente vestidas de manto religioso, utilizam em seus corpos docentes verdadeiros cavalos de Tróia, que atacam por dentro o que elas deveriam afirmar, preservar e difundir. E acabam desviadas para uma negligente distância da fé e da doutrina prescrita em seus estatutos. Contudo, tanto o direito canônico quanto os documentos da Igreja dispõem que as universidades católicas “são um lócus privilegiado de exercício da ética cristã”. Quando será assim, Senhor?

(Publicado no Jornal “Correio do Povo”, Porto Alegre, em 12/01/2006)

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