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Ainda no entorno do caso Saffioti vs. Harada: nova anotação para meditar sobre a crise da PUC-SP

Pequito Rebelo (http://tactual.zip.net)

A noticiada crise que assola a PUC de São Paulo, se bem por agora desponte como financeira, é, já o dissemos antes, tributária de crises mais agudas, como são as da perda de autoridade e de identidade doutrinal nessa Universidade paulista.

Em postagem anterior, reproduzi a frase de um dos ex-Professores da Instituição a acusar não-identificados grupos “conservadores” da Igreja de interferirem na “autonomia” acadêmica. E recordei também que, ao investir, em defesa do aborto, contra um escrito do Procurador do Estado CICERO HARADA, a eminente Professora da PUC-SP, Socióloga HELEIETH SAFFIOTI, desfraldou posições francamente opósitas a verdades como tal definidas e ensinadas pelo Magistério da Igreja.

Disse JACQUES DERRIDA que “não há lugar neutro ou natural no ensino”. A Universidade, se especificarmos sem traição de sentido esta referência do autor, “não é um lugar indiferente”.

Posto isso, a pergunta que nos devemos fazer é sobre aquilo que se espera, fundamentalmente, de um professor de Universidade CATÓLICA.

Se quisermos estendê-la um tanto, a indagação deveria pousar nos deveres da então mais ampla figura do intelectual CATÓLICO.

Mas a verdade é que, para muitas das correntes atuais de tantos afirmados católicos, essa personagem do “intelectual católico” desapareceu. Tolera-se, mais ou menos, a existência de um católico que seja “intelectual”, não, porém, a figura de um “INTELECTUAL CATÓLICO”, tal a retratara PIO XII, por exemplo, em “Nei Tesori”, “Nous venons” e “Rassemblés du monde”.

Entre muitos aspectos que poderiam conduzir a um exame do tema — vastíssimo, por sinal —, um deles é o que concerne ao “isolamento asséptico” entre, de um lado, a religião (que a Professora SAFFIOTI, como se viu, reserva para a esfera da intimidade) e, de outro, os saberes profanos. Ou talvez se pudesse dizer melhor: de um lado, a religião como simples “praxis” interior e meramente afetiva; de outro, os saberes, “tout court”.

Essa linha de pensamento atual e freqüente em grupos que (se pensam e dizem) católicos consiste, de algum modo, numa atualização de teses da “devotio moderna”.

De fato, quando se professa uma “autonomia” que descarta um senso católico dos saberes (de sorte a legitimar até um “pluralismo” dissolvente das verdades definidas pelo Magistério eclesial, em matéria de costumes, segundo o que sempre e em toda parte se ensinou), eliminam-se, de conseguinte, os deveres de cristianização da cultura, da economia e da política. Em outras palavras, com negar um sentido católico para a vida social — admitindo-se o laxismo (ou ecumenismo) político, cultural, econômico—, desaparece a idéia de Cristandade.

Com efeito: a Cristandade corresponde exatamente à conformação da vida profana aos ditames e fins da Igreja.

Quando, pois, alguns trataram, ultimamente, de defender a “autonomia” acadêmica na PUC-SP, o que pareceram propor foi a AUTONOMIA DA ORDEM TEMPORAL, como se essa ordem, distinguida da ordem eterna, não devesse harmonizar-se com esta, como se a primeira não se subordinasse à última.

A normalidade de fato com que alguns (afirmados) católicos intelectuais sustentam essa “autonomia” deve-se à trivialização do ecumenismo político e cultural entre as atuais correntes herdeiras, “quodammodo”, da “devotio moderna”.

Não fosse, entre muitos (que se dizem) católicos, a abdicação da Soberania Social de Jesus Cristo, não se estaria diante deste episódio curioso: intelectuais a subir em suas tamancas e reclamar que dos cofres católicos já não lhes venha a paga da tarefa de opor-se à doutrina católica.

19/02/2006

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