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A Vida, o Planeta e o Aborto

Ogeni Luiz Dal Cin*

A maior pressão internacional para legalizar o aborto e fomentar sua prática generalizada decorre, em última análise, de um imperativo cósmico de redução da população. E essa imposição se alia ao paradoxal “absoluto”, dentro do reino do relativismo, isto é, ao “direito humano da mulher sobre seu corpo”. Assim, esta poderá livrar-se do “incômodo” indesejado de ter outra vida humana dentro de si em gestação. De fato, a vida humana em gestação já foi reduzida a zero em muitos países e a vida humana “inútil” poderá também ser destruída pela eutanásia.

O discurso do aquecimento global é mais um argumento, agora cósmico, para reduzir a população. Ora, a matéria, que ninguém sabe ao certo o que é, é, para o novo “iluminismo”, a única realidade existente. Mesmo sendo um existente não sabido, agem seus acólitos como profetas desse não sabido, acreditando que o que ainda não se sabe, saber-se-á, pois é apenas uma questão de tempo e de ciência. O Planeta-matéria passa a ser o único deus. Essa a fé dos materialistas que não sabem sequer o que é a matéria em si, sua origem e seu fim. Nessa contraditoriedade, gestam-se as forças da morte da vida humana, surge a “cultura da morte”.

O antropocentrismo direcionado a mergulhar sempre mais fundo na imanência, que se organiza a partir da Idade Moderna, caminhou, no que se refere ao sentido da existência humana, para um Planetacentrismo materialista, tornando-nos seres descartáveis, produtos destruidores do criador. O personalismo, no sentido de ter a pessoa humana como centro e fim de toda ordem humana e natural, está sendo empurrado para fora da história humana, o homem vai abdicando de ser o sujeito da História.

A vida humana está se tornando cega, surda e muda, indiferente ao avanço das forças da morte. Por isso, a vida humana vai soçobrando, por etapas. Sem nenhum direito absoluto em si mesmo, nem mesmo o da própria vida, é possível ainda construir a democracia para as gerações futuras?

A liberdade sexual tornou-se o orgasmo da nossa civilização, diluindo a família e adentrando no casamento de homossexuais. O uso de drogas passa a ser mais uma fonte de prazer do que um perigo à saúde pública.

No meio de tudo isso, a saudade de Deus, que emerge da visão materialista, faz com que se escolha o “Planeta” como o novo Deus e Senhor da Vida. Só que esse “Deus” está a exigir de seus ministros sacrifícios de vidas humanas, a fim de que lhe seja aplacada a ira. Os profetas de plantão desse novo deus proclamam que a população humana deve ser reduzida, sob pena de todos sermos castigados. Impõe-se, assim, legalizar formas de ceifar vidas sem incidir em crime. Diviniza-se o Estado, que passa a ter direito à vida de seus súditos. Sim, o Estado enquanto eco do Planeta, o Planeta que se consubstancia no transcendente absoluto. Reinventa-se, por essa via, o “cosmologismo”, pálida imagem dos gregos antigos da fase mitológica, no qual o homem é apenas parte do cosmos, que só vive enquanto estiver para o cosmos.

Enquanto tal ambiente é criado, surge a voz de um epígono do Planeta Terra, o aspirante ao posto da Casa Branca, que promete lutar pela salvação de todos. Diante desses Estados Unidos tão desacreditados, o fulgente candidato quer redimir a imagem do seu país e apresentar o caminho para a humanidade, promovendo ações para diminuir o aquecimento global, cujo encaminhamento supõe a redução da população. Daí a pressão para legalizar o aborto e a eutanásia. É claro, contudo, que quem vai pagar o preço é o próprio ser humano, pois seu direito de viver é relativizado. Em verdade, os valores morais, há muito, vêm sendo considerados relativos, despidos, portanto, de força social. Objetivamente, nada mais valem, igualando-se a meros preconceitos. Os valores passam a ser considerados formas de discriminação. Por isso, quanto menos valores têm a pessoa, mais “moderna” ela é. A própria lei esvazia-se do valor de que deve ser guardiã, transformando-se em mero regramento formal. Consagra-se o formalismo jurídico. O honesto, porque se guia por valores, vai se tornando sinônimo de bobo.

O pretenso remédio do relativismo, para o agir humano, é o veneno capaz de reduzir a população, seguindo o princípio de que quanto menos comensais, mais prazer, mais fartura e menos poluição haverá.

A História, contudo, pode trazer em seu bojo efeitos colaterais contrários aos pretendidos. Ora, os que crêem no Deus da Vida e Senhor do Planeta, mesmo com a legalização de ações contra a vida, continuarão gerando, com responsabilidade, seus filhos. Enquanto as forças da morte pugnam em reduzir a vida, as forças da vida buscarão mantê-la em plenitude. O resultado não será outro. Os filhos da vida dominarão a Terra. É que a ideologia da redução da vida humana sobre a Terra poderá produzir um grande genocídio demográfico de si mesma, de sua crença, de seu deus. A vida sairá vitoriosa, pois vencerá a própria morte.

* Filósofo e advogado

Comentários»

1. glaucia . - janeiro 21, 2009

eu acho que quem aborta nao tem coracao

2. erica - janeiro 21, 2009

Deus deu a vida nao para tirala + viver


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